segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CURA PARA O ALCOOLISMO


Sérgio Pereira era um sujeito pacato, mas quando bebia, virava valente em casa, xingava a pobre esposa, batia e até a expulsava de casa. A vida conjugal tornou-se difícil pois o homem não deixava passar um final de semana sem encher a cara de cachaça. Certa vez, ao chegar em casa, para cúmulo do problema, resolveu quebrar tudo o que lhe viesse à mão. Foi uma arruaça generalizada. Pouco restou dos utensílios de cozinha. Coitada da mulher, que submissa não sabia como agir. Ficou desesperada, pensou em largar o marido, ir embora, mas para onde? Seus parentes não lhe apoiavam. Temia passar necessidades, cair na vida.

No outro dia, a mulher foi desabafar com sua vizinha, que também era sua melhor amiga, os problemas conjugais. A vizinha sentia pena da mulher, no entanto, mantinha descrição e procurava não tocar no assunto, porém nesse dia foi inevitável:

_ Vizinha, que confusão foi aquela ontem à noite em sua casa?

_ Amiga, eu não sei mais o que fazer com o meu marido, ele deu pra essa cachorrada de beber e bagunçar em casa, que é uma lástima.

_ Vizinha, dê remédio pra ele parar de beber.

_ Que remédio?

_ Lactopurga! É tiro e queda! Vizinha, o meu marido era assim, bebia, chegava em casa querendo comer e se não tinha... Sabe como eu curei ele? Pois eu vou lhe contar. Eu batia bem três comprimidos e colocava na comida toda vez que ele chegava bêbado, foi um já como ele parou de beber. Faça isso.

A mulher se animou com a idéia. Também do jeito que estava, pior não poderia ficar. Foi pra casa. Deu um jeito de comprar umas cartelas do remédio e guardou bem guardado. Esperou a primeira oportunidade, que não tardou a chegar.

Certo dia, o homem encheu a cara e chegou em casa botando banca, querendo comida.a mulher acalmou o marido, dizendo que já preparava uma refeição. Foi pra cozinha e bateu três comprimidos de Lactopurga, misturou na comida e levou para o marido. O homem acabou a refeição já sentindo os sintomas. Passou o resto da noite indo ao banheiro. No outro dia, o homem não prestava pra nada. Levou uns dias para se endireitar.

Quando se recuperou da caganeira, Sérgio bebeu todas. A mulher preparou o medicamento e aumentou a dose, o resultado foi aquele já esperado. Dessa vez a duração do efeito foi maior. O homem ficou fraco, mas não se exemplou. Continuou na safadeza. A esposa não desistiu e a cada piléque do marido a mulher colocava mais um comprimido na mistura.

O homem cismou que seu fígado estava pedindo arrêgo, devido ao consumo freqüente de álcool. Essa idéia perturbou-lhe a consciência, tanto que foi procurar um amigo, marido de sua vizinha, ao qual contou sua lastimável situação:

_ Amigo, eu acho que o meu fígado está nas últimas. Toda vez que eu bebo fico me vazando, já cheguei até a fazer nas calças.

_ Ih, cara, quando a coisa está assim é um passo para a cirrose. O fígado não está aguentando mais. Você lembra do finado Walter? Pois ele morreu de cirrose, com esses mesmos sintomas aí. Outro foi o Rosevaldo. Tem também o João Alves... Deixou a mulher nova, três filhos pequenos. Quando eu vi que a bebida estava me matando deixei o vício. Criei abuso. Não foi preciso tomar remédio. Eu achei que o vício estava me prejudicando, parei mesmo.



Sérgio sentiu medo, ficou pensando naquelas palavras que seu amigo disse. Lembrou da situação em que ficava quando bebia, da mulher simpática que morava com ele, do triste fim dos seus amigos que a cachaça ajudou a abreviar e resolveu:

_ Chega! Eu não quero morrer de cirrose e deixar tudo para trás. Se continuar assim meu fígado vai por água abaixo.Vou parar de beber.

E parou mesmo. Tornou-se outra pessoa, gentil e responsável com a família. Finalmente a mulher teve um pouco de paz na sua vida. Pois já havia passado muito vexame. Chegou a hora da vizinha agradecer a amiga pelo conselho:

_ Tenho uma novidade pra te contar. Dessa vez o marido não bebeu mais, disse que a bebida não é mais para ele pois estava à beira da cirrose.

_ É vizinha, se toda mulher soubesse que o alcoolismo tem remédio, não sofria tanto.

_ Pois é, e que remédio!


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